O amor é este enguiço

mais difícil de se poder

que uma gota sobressalta do mar,

uma graminha dançando a mais para o vento,

alguma ponta de quem

a gente vê

de muito longe.

O amor se esconde nas beiradas,

nas camas estendidas cedinho e

na poeira de quem viaja.

Até no calendário que se decora sem passar

há o defronte que amar.

O amor é um mesmo

que o tempero volte saudade,

uma boa história reinventa para risada,

ou as janelas de quem não fechou

de bem-querer.

O amor é de repente

o que não se tem

mais de caber,

que desperta o infinito por dentro

porque é da natureza

com o outro alguém.

Muito mais gente é de todo o amor.

O amor pode o tempo que ficar

e ser menor instante do mundo:

um olhinho fechado,

qualquer pedaço de dedo que se esbarrava,

até o enfeite no cabelo de quem durou o retrato

e as palavras por quem voltarei.

Até o fim

de me viver

seu quem

na poesia e só.

Leonardo Valesi Valente

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